distimias

Harry Potter

Uma boa parte da minha infância e adolescência foi gasta lendo os livros do Harry Potter.

Eu me lembro ainda como se fosse ontem da vez que abri o primeiro – presente que meu irmão ganhou de aniversário e não deu bola.

Desde aquele, foram anos de espera pelos próximos. Nos intervalos fiz alguns dos melhores amigos da minha vida e aprendi outras línguas relendo versões estrangeiras. As vezes, quando sobra um tempinho num dia de chuva das férias, ainda releio e me divirto como se fosse a primeira vez, ou talvez até mais, pq além da história são tantas lembranças de um tempo bom.

Mas não posso mentir que estar escrevendo aqui e declarando meu amor me deixa um pouco constrangida. Já no tempo de escola rolava um “bullingzinho”. Hoje em dia, que somos adultos e tenho quase 3 décadas de vida, imagina! Livro-de-criança!

Outro dia encontrei uma amiga alemã que quer aprender português e me confessou, bem envergonhada e tímida, que estava lendo o Harry Potter na nossa língua. Quando eu assumi que estava fazendo o mesmo com a versão germânica, foi como um pacto de fidelidade e pontos para fortalecer a amizade 😛

Ontem, quando cheguei no trabalho tinha um email do meu chefe com o link: http://sustainablecitiescollective.com/embarq/256901/friday-fun-what-harry-potter-teaches-us-about-integrated-transport

Então me dei conta que todas as milhões de pessoas que sabem narrar como foi o momento em que receberam o sétimo livro, nas primeiras horas de venda, estão espalhadas por ai. E são velhas como eu! E no meio dos que torcem o nariz é sempre muito bom encontrar alguém que viveu essa época também. E fica mais engraçado ainda se é teu chefe 😛

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2 Anos!!!

Semana passada completamos 2 anos de Alemanha e passou esquecido!
Pra dizer a verdade eu até lembrei uns dias depois e esqueci de novo. Agora, ouvindo o Jorge Drexler, me lembrei outra vez pq sempre que eu ouvia essa musica nos primeiros dias aqui eu chorava achando que esse dia tããão longe nunca ia chegar.
Agora tenho certeza que os próximos 183 vão passar voando. E eu não queria. 😦

Turquia [Setembro/Outubro 2013] – Histórias (antes) de Istanbul

Mil anos o blog abandonado e o que me traz aqui foi que a Hannah Marina (oi Nani!) me perguntou sobre o que eu achava da Grécia, pq ela está pensando em passar a lua-de-mel dela lá. Só o fato da tua amiga de mil anos estar planejando a lua-de-mel já é motivo para um post, mas enfim, o motivo verdadeiro é que eu disse pra ela considerar a Turquia.

Quando meus sogros, minha cunhada e o marido (vulgo Pedro da van) vieram nos visitar em Munique no ano passado, resolvemos estender a viagem pq também era nossas férias da universidade. Então, entre 20 de Setembro e 07 de Outubro nós conhecemos algumas regiões da Turquia, o país mais fantástico que eu já estive até agora e que não consigo acreditar que demorei tanto tempo pra cogitar a viagem.

Quando comecei a conversar com a Nani e olhar as fotos de todos aqueles lugares, fiquei empolgada pra relembrar um pouco de tudo. Vou tentar então aos poucos ir contando.

O planejamento não foi dos melhores e certamente o roteiro poderia ser bem aprimorado. Nós fizemos várias compras em cima da hora e também quando começamos as reservas não tinhamos todo o roteiro decidido. Algumas escolhas também dependiam da disponibilidade dos voos para a Capadócia, que não são tão frequentes. Por estarmos viajando com a família também muitas coisas foram diferentes do que normalmente teríamos escolhido quando viajamos só o Gustavo e eu, como os transfers do aeroporto, a escolhas dos hotéis e a quantidade de atividades por dia. Mas no geral deu tudo super certo.

O mapa mostra as nossas andanças. Em cinza os trajetos de avião e em vermelho a costa do Egeu que fizemos de carro van.

Nosso roteiro na Turquia

 

Antes de mais nada eu tenho que contar de antes da viagem.

Bem na tarde que compramos as passagens pra ir pra Turquia eu tava sozinha em casa e procurei no google “livros para ler antes de ir pra Turquia”.  Separei os que me interessaram e mandei um email pro cara da Readery, que é a loja de livros usados em inglês aqui perto de casa (que propício não?) perguntando se ele tinha algum daqueles. Em dois minutos ele me respondeu que tinha um, que ele ia separar e que eu fosse lá buscar se eu quisesse. Peguei minha bicicleta e fui voando, com aquele desejo de leitura e livro novo.

O livro era Istanbul: Memories and the City, do Orhan Pamuk. Apesar do nome, em qualquer descrição dele pela internet tu vai encontrar que não é um livro de turismo. Mas sinceramente, foi o livro mais lindo que eu poderia ter lido antes de visitar Istanbul.  Ele fala das percepções do autor, que sempre morou em Istanbul, sobre a cidade, misturado com a vida dele. Eu muitas vezes conseguia pensar também na minha relação com Porto Alegre e certamente eu não teria me emocionado tanto ao andar pelas ruas e ver as casas de madeira, o tram que vai pra Taksim, um balde pendurado na janela, ou os yalis na beira do Bosphorus.

A Istanbul do Orhan pelos meus olhos

“Whenever I think of these writers together, I am reminded that what gives a city its special character is not just its topography or its buildings but rather the sum total of every chance encounter, every memory, letter, color, and image jostling in its inhabitants’ crowded memories after they have been living, like me, on the same streets for fifty year.” (Pamuk, Orhan)

Geburtstag!!

Dia 04 completou um ano que estamos aqui na Alemanha.

A coisa mais legal nessas experiências é perceber como a gente preenche o tempo tão intensamente estando num lugar diferente, com pessoas diferentes, com coisas novas pra viver e testar. São tantas lembranças, tantas coisas boas. Até as coisas ruins, depois que elas passam, acabando virando histórias engraçadas e boas de lembrar.

Eu lembro como se fosse ontem de estar pegando o ônibus no aeroporto junto com o Drew e o David sem saber quem eles eram. De estar no taxi chegando no Goethe com a minha mala, de olhar pro Gustavo com cara de terror quando a mulher disse que eu ia ficar numa family house, da Frau que veio me buscar e não falava uma palavra em alemão e saiu correndo enquanto eu puxava minha mala  Königstraße acima, minha primeira noite totalmente sozinha no meu apartamento em Dresde, da janela do tram quando a gente foi a ultima vez comer kebab na Albert Platz, da primeira noite aqui no apartamento em Munique, dos cheiros, dos primeiros dias de aula, com o Albert, no mestrado, do Dani apertando a mão de todo mundo. Eu lembro também de como eu tive os dias mais tristes e perdidos da minha vida e olhando agora, como eles também são uma parte de tudo isso, mas só uma parte.

Chega uma hora que cansa ter todos os dias assim tão cheios. Tudo que tu quer é ficar quieta, colo da mãe, algumas certezas, enquanto a vida passa lá fora e não te atinge. Eu pensei em ir embora e eu pensei em nem pedir mais um ano de bolsa. Eu pensei que eu ia morrer e que dois anos não iriam acabar nunca e toda minha vida ia passar. Agora que cheguei em um ano (e o sol chegou junto), eu me lembro da Ceci me dizendo uma vez, lá nas escadas do Goethe, de quando chegasse o momento do “meio” em que os dias começam a reduzir tudo passa mais rápido. Eu vejo como eu tenho que voltar a usar meus dias como se eles fossem os primeiros (ou os últimos, hehehe). Dói pensar quantas coisas a gente já não desistiu por medo, por preguiça. De quantas coisas e quantas experiências eu podia estar perdendo se eu tivesse largado tudo quando eu achei que era o fim do mundo.

É tão clichê falar do crescimento nessas situações, mas é tão real. É tão rápido que tu pode ver, sentir. Eu sei que se o DAAD me der mais um ano de bolsa tudo vai ser repetir. Eu vou comemorar de novo, vou querer morrer de novo. Me resta usar o que eu aprendi até agora pra que se o segundo ano vier, eu seja capaz de fazer dele o melhor ano da minha vida, mesmo que pareça meio impossível superar esse 🙂

Feliz Aniversário pra mim!

Branches with Almond Blossom

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Pelo jeito vocês (oi Paula! oi Biel!) terão que aguentar mais uns tempos os meus posts sobre a alegria da primavera. Tirei essa foto há uns 15 dias atrás quando eu fui com a turma da minha aula de Stadt und Regionalplanung visitar Fürstenfeldbruck, a área que a gente vai trabalhar esse semestre. O contraste das flores tão brancas nesse céu azul é uma dessas coisas que daria pra ficar a vida inteira olhando de tão inexplicavelmente lindo.

Quando eu mostrei a foto pro Gustavo ele lembrou do quadro do Van Gogh que vimos em Amsterdam, Branches with Almond Blossom. Sinceramente eu não sei se isso é uma árvore de amêndoas, mas segundo a wikipedia, as árvores florescendo eram especiais pro Van Gogh e ele inclusive tem uma sequência inteira de pinturas que representam a floração das árvores de amêndoas. “They represented awakening and hope”. Então, no fim das contas, o sentimento é o mesmo e minha alegria pela primavera é compartilhada, pena que eu não sei pintar.

 

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Van Gogh: Branches with Almond Blossom

… a vida em cores :)

Bah, agora que descobri que tenho dois leitores (oi Biel! oi Xuxu!) tenho que escrever de vez em quando por aqui né… que emoção!

Então, a visita da mãe e as férias de março parecem ter feito um bom efeito em mim. Essas duas primeiras semanas de aula foram longe de ser o horror que foi o início (e todo o resto) do semestre passado. E claro que o fato de ter virado primavera de uma hora é algo inexplicável. Quando chegamos aqui no início do verão passado eu achava todo mundo doente da cabeça, as gurias semi-nuas quando tava 20 graus, o pessoal deitado na grama até o último raio de sol as dez da noite. Pois bem, aparentemente, tirando a parte de semi-nua, eu sou esse ano mais um dos enlouquecidos por qualquer raio de sol e temperaturas positivas. É muito difícil explicar o que acontece nesses seis meses de frio e neve. A urgência de tempo bom que o corpo sente.

E isso não é só eu e minhas loucuras. O que aconteceu com a natureza em uma semana foi incrível. Casualmente tinha tirado uma foto sábado passado da janela (pq tava passando um Zeppelin, olha lááá no fundo). A de baixo é a foto hoje.

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Depois do inverno…

Um dia em Dresden tinha esse pote de molho Barilla apoiado no parapeito da janela do corredor do nosso andar. E dentro do pote apareceu uma mudinha de flor. A água secou e a coitada ficou lá, dias, no vidro seco, firme e forte.

Um dia me deu uma pena dela, que insistia em não morrer no vidro, sem água e coloquei ela numa terra velha de uma outra planta que já tinha morrido. Ela ficou lá meio capenga e um dia quando o Mohammad foi almoçar lá em casa ele arrancou todas as folhas que tinha, sem me perguntar!! Deixou só um toquinho na terra… e ela cresceu e eu trouxe ela aqui pra Munique, no meio de toda a mudança.

Agora junto com o semestre novo, ela começou a brotar. Uma esperança de que, quem sabe, dias coloridos estão pra aparecer depois de tanto cinza.

Nossa humilde residência!!

Mais de seis meses depois, ai está nosso ap!!

Erro nosso, nunca tiramos fotos do apto quando chegamos aqui pra comparar com o que ele tá hoje… 

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Statistics…

 

Ontem eu tive um dia de tpm MEMORÁVEL (ou seria deplorável??). Acho que a coisa se intensifica pela distancia de casa.

Mas enfim, hoje nao tinha aula de manha, entao pude dormir até mais tarde. Acordei com um dia lindo e quente (tá fazendo 20°C!!!) e tomei uma decisao de vida: VOU APRENDER ESTATÍSTICA.

Eu realmente espero que funcione e eu possa devolver logo esses livros com títulos idiotas pra iniciantes…

 

Munique!

Sério, que furado esse blog. Eu escrevo agora pq quero contar a mesma história pra várias pessoas então por aqui é mais fácil 😛

Domingo passado, dia 30, depois de umas 50 despedidas e um mês choramingando, saímos de Dresden de manhã cedo. Alugamos um carro pq tínhamos muita coisa e o valor compensava mais do que nós dois virmos de trem. No fim a gente precisava era de um caminhão. O coitado do carrinho veio lotaaaado! Me lembrou quando a gente voltava de Tucunduva com todas as malas, sacolas de bergamotas e ainda umas mudas de plantas no meio de tudo.

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Dresden: Tchau Radeberger!!

Estávamos tão nervosos e cansados com a função da viagem que esquecemos de tirar fotos :/

Mas a viagem foi super tranquila e confortável. É tudo aquilo que todo mundo fala sobre viajar de carro na Alemanha: ninguém anda a menos de 130km/h, as estradas são fantásticas e incrivelmente bem planejadas. Em nenhum momento tu precisa reduzir a velocidade pra mudar de pista, ninguém cruza o caminho de ninguém, as saídas, banheiro, posto são muito bem sinalizados. E é muito divertido ficar vendo todos aqueles carros lindões passando o tempo todo. 

Enfim, tivemos um pequeno aperto para abastecer o carro, pq aqui tu mesmo faz isso e dps vai pagar. Aliás, usei o Via Michelin para ver as opções de rota, as distâncias e ele inclusive nos disse o preço que iriamos gastar em gasolina com o erro de 3 euros!!!!! (http://www.viamichelin.com/)

Depois de mais ou menos 5h viajando fomos recebidos com a Allianz Arena. Como era domingo a cidade estava bem calma e tinha uma vaguinha nos esperando quase na frente do prédio. Descarregamos tudo e fomos entregar o carro.

Na volta organizamos algumas coisas e jantamos os sanduiches que eu tinha feito pra viagem e desabamos na cama. Eu dei umas choramingadinhas de saudade de Dresden e fui consolada pelo Gustavo que disse “Ah, não fica triste, a gente já tá aqui, o apartamento tá limpinho….”

Nesse momento faço um parenteses. Quando eu cheguei em Dresden e liguei pra mãe nos primeiros dias ela perguntou se tudo era ok e eu disse “Sim!! Minha cama é maravilhosa!”. Depois de ter desacansado as primeiras noites já comecei a ver que a cama rangia, mais umas noites e ela tinha umas molas saltadas, um sulco no meio e 15 dias depois eu queria jogar a cama fora. 

A diferença aqui no apartamento é que não precisou nem dois minutos depois de acordar pra perceber que o Gustavo tava bêbado de sono dizendo que o apartamento era limpinho. Não era limpo, limpinho, razoavelmente saudável, NADA. O negócio tava um lixo!!!! O antigo dono morou aqui por seis anos e tenho certeza que nadinha saiu do lugar pra passar um paninho embaixo. Me lembrei do Totoro, mas ao invés de bolinhas pretas da infelicidade, aqui as bolinhas pretas eram de pó mesmo e mesmo rindo pra não chorar, elas não iam embora por mágica.

E nós alugamos o apartamento mobiliado. Mas ele simplesmente deixou TODAS as tralhas da vida aqui, inclusive comida nos armários da cozinha, milhões de decorações com crostas de pó, discos, livros, tudo! 

Pensando agora eu nem sei como que a gente começou, eu só pensei que nunca fosse acabar de limpar tanta sujeira. Eu que nunca tinha feito nada disso na vida e tinha orgulho de passar o aspirador e um pano molhado do meu chão em Dresden achando isso o máximo da limpeza. Mas depois de três dias enfiando bugigangas no armário embutido do corredor, esfragando tudo que é canto da casa eu me sinto muito orgulhosa. Nunca teria passado por tudo isso e aprendido o valor milagroso de um pouco de Kiboa com água.

Agora que a casa tá limpinha, agradável e as dores no corpo de esfregar já foram embora até foi engraçado. Quando tudo estiver no lugar posto fotos da casa nova 🙂